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Estádio das Laranjeiras





Estádio das Laranjeiras

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No inicio do século XX, o futebol começava a dar pistas que se consolidaria como o principal esporte do País. O Fluminense Football Club, recém criado, tomou para si a responsabilidade de construir a primeira praça esportiva do Rio de Janeiro. Em 14 de agosto de 1904 foi realizado o primeiro jogo interestadual no Campo da Rua Guanabara (atual Rua Pinheiro Machado), que ficava no mesmo local do Estádio das Laranjeiras, apenas com o gramado em posição diferente. O confronto seria entre as equipes do Fluminense Football Club e do Club Athletico Paulistano marcando a inauguração oficial da praça esportiva.

A diretoria Tricolor mandou levantar uma pequena arquibancada de madeira para que fosse possível acomodar um público de cerca de mil torcedores, cobrando os primeiros ingressos para um jogo de futebol no Brasil. A arquibancada custou à importância de 330$000.

Além dos sócios do Fluminense e convidados presentes, 806 ingressos foram passados pelos sócios, e 190 ingressos foram vendidos na bilheteria. Cada bilhete custava 2$000 e a renda apurada da partida foi de um total 1:992$000. O Fluminense foi derrotado pelo placar de 3 a 0.

A primeira vitória tricolor no Campo da Guanabara veio cinco dias depois, novo amistoso, desta vez contra o Paysandu Cricket e, com dois gols de Edwin Cox, o Tricolor bateu o adversário por 2 a 1.

No ano seguinte, Eduardo Guinle mandou construir por conta própria a primeira arquibancada de um Estádio no Rio de Janeiro. Em julho de 1905, o Fluminense convidou o mesmo Paulistano para mais duas partidas, que foram realizadas no dia 14 e 16, vencendo o primeiro jogo por 2 a 0 e perdendo o seguinte por 3 a 2.

O primeiro jogo contou com cerca de 2500 torcedores, um público bastante considerável para a época. Pela primeira vez, os torcedores traziam em seus chapéus fitas com as cores de seus clubes, não somente os torcedores do Fluminense, como também de Botafogo, América, Bangu e Internacional.

O presidente da República, Rodrigues Alves, o chefe da Casa Militar, General Souza Aguiar e o secretário da presidência, Rodrigues Alves Filho estiveram presentes no campo do Fluminense para assistir a partida. Era a primeira vez que um Chefe de Estado no Brasil assistia in loco a uma partida de futebol.

Antes de sua inauguração oficial, como Estádio das Laranjeiras, em 1919, o campo da Guanabara abrigou a primeira final de um Campeonato Estadual no local, o Fluminense sagrou-se bicampeão com uma vitória por 2 a 0 sobre o Paissandu Atlético Clube.

Em 1908, o Fluminense foi campeão mais uma vez vencendo o mesmo Paissandu, agora por 5 a 1 e, sagrando-se o primeiro Tricampeão do campeonato Estadual do Rio de Janeiro. O campeonato voltou a ser decidido no Campo da Guanabara em 1911, quando o Fluminense sagrou-se campeão vencendo o América Football Club por 2 a 0.

No ano seguinte, o Campo da Guanabara viu o Paissandu ser campeão Estadual ao derrotar o Fluminense por 4 a 2. Nesse campeonato o Fluminense terminou o torneio em 5º lugar. Em 1913 o América sagrou-se o último campeão no Campo da Guanabara ao vencer o São Cristóvão por 1 a 0, que terminou o campeonato em 6º lugar.

Em 1914, no aniversário de 12 anos do Fluminense Football Club, a Seleção Brasileira debutou para o futebol ao vencer o Exeter City, por 2 a 0, com gols de Oswaldo Gomes, do Fluminense e Osmam Medeiros, do América, no Campo da Guanabara.

No dia 2 de outubro de 1917, a Confederação Sul-Americana de Football indicou o Brasil para sede do campeonato de 1919, porém, o País não estava preparado para abrigar tal evento. A Confederação Brasileira de Desportos tentou sem sucesso conseguir apoio dos poderes públicos. A CBD e o Governo Público, sem saída, depositaram no Fluminense a única esperança de abrigar tal evento e o Tricolor não se negou a cooperar para a realização do primeiro campeonato sul-americano de futebol no Brasil.

Com aprovação do Governo Federal, o Fluminense contraiu no Banco do Brasil um empréstimo de dois mil contos de Réis, com o endosso particular do presidente Arnaldo Guinle. Com projeto do arquiteto Hypolito Pujol, as obras foram iniciadas em 22 de maio de 1918. A antiga arquibancada coberta por folhas de zinco foi adquirida pelo Sport Clube do Recife que a instalou em sua praça de esportes. Da antiga praça de esportes da Rua Guanabara nada restaria, senão o documentário fotográfico.

Em 11 de maio de 1919, o Estádio das Laranjeiras foi oficialmente inaugurado para a partida entre Brasil e Chile pelo Sul-Americano. Este foi o primeiro estádio de futebol construído no Brasil para grandes espetáculos, com capacidade para 18 mil torcedores, o maior da América Latina, custando aos cofres Tricolores à quantia de 840:717$701.

O Brasil venceu a partida por 6 a 0 e no final do torneio sagrou-se campeão Sul-Americano pela primeira vez ao vencer o Uruguai. Esse foi o primeiro título de relevância da Seleção Brasileira e o primeiro gol marcado no Estádio foi de Arthur Friedenreich, jogador do Paulistano.

O Fluminense fez a sua estreia oficial no novo Estádio das Laranjeiras em 13 de Julho de 1919, vencendo o Vila Isabel Futebol Clube por 4 a 1 em partida válida pelo returno do Campeonato Estadual, com três tentos de Welfare e um de Machado.

A primeira conquista Tricolor em seu estádio veio ao final do ano, em 21 de Dezembro de 1919, o Fluminense sagrou-se Tricampeão Estadual pela segunda vez ao bater o Flamengo por 4 a 0 com dois gols de Machado, um de Welfare e outro de Bacchi. O título era o oitavo do Tricolor no Campeonato Estadual e a conquista definitiva da Taça Colombo.

Em 1922, o Brasil se preparava para as comemorações do Centenário da Independência e a Comissão Organizadora dos Festejos Desportivos do Centenário incluiu no programa os Jogos Latino-Americanos que incluíam diversas modalidades esportivas. O Ministro do Interior, por intermédio da CBD, apelou para que o Fluminense assumisse a responsabilidade pela parte desportiva do programa oficial.

Apesar de possuir as mais modernas instalações do continente, o Fluminense se sentiu impossibilitado em aceitar honroso convite, pois suas instalações não eram adequadas o suficiente e, o Clube não dispunha de recursos necessários para adaptá-las ou ampliá-las. O Governo ofereceu ao Fluminense a possibilidade de ampliar suas instalações desde que o mesmo aceitasse patrocinar os jogos.

Quando as obras para ampliação do Estádio das Laranjeiras já estavam adiantadas, uma desagradável surpresa chegou ao Fluminense. O Governo não concordava com a autorização da Comissão Executiva para as obras e com o custo da construção que ultrapassava o orçamento estipulado pelo arquiteto. Sendo assim, o governo se recusou a efetuar qualquer pagamento que excedesse o valor acordado previamente.

O Fluminense ponderou junto ao Governo que as obras não parassem pela metade, pois foram autorizadas pelo poder competente, se responsabilizando pelos custos excedentes do projeto, saindo em defesa da construtora, alegando ser impossível determinar com exatidão os custos de material e mão de obra.

O Estádio das Laranjeiras teve então a sua capacidade aumentada para 25 mil pessoas e sediou não somente os jogos olímpicos como o Campeonato Sul-Americano de Seleções, que foi o segundo título internacional da seleção Brasileira. Em duas das partidas do Sul-Americano, contra Chile e contra o Uruguai, o público foi calculado em 30.000 pessoas, ou seja, acima de sua capacidade, porém, tais registros não foram contabilizados de forma oficial. O recorde oficial de público pagante foi em um Fla x Flu, vencido pelo Fluminense por 3 a 1 no dia 14 de junho de 1925, quando 25.718 espectadores pagaram ingressos na bilheteria.

Em 15 de Julho de 1928, na final da Taça Vulcan, O Fluminense venceu o Sporting Clube de Portugal, por 4 a 1, com gols de Lagarto, Alfredinho e dois de Preguinho. O confrontou contou com o estádio lotado e mais 2.000 cadeiras sendo colocadas na pista de atletismo para comportar o público pagante. Especula-se que o público presente era de cerca de 40 mil pessoas, que assistiram o Fluminense se sagrar Campeão de sua primeira taça internacional, provavelmente a primeira de um Clube Brasileiro.

No fim da década de 1950, a Prefeitura do antigo Distrito Federal entrou em conflito com o Clube das Laranjeiras por causa das obras de duplicação da Rua Pinheiro Machado, cujo novo traçado passaria pelo terreno onde se encontrava o Estádio. Em 1961, após dois anos de negociações, o Fluminense teve parte de seu Estádio desapropriado pela Sursan, em uma faixa de terreno situada na Rua Pinheiro Machado. Pela desapropriação de uma área de 1.084,95 metros quadrados, o Fluminense recebeu a quantia em dinheiro de Cr$ 49.703.000,00 e mais as áreas remanescentes dos terrenos da esquina das Ruas Álvaro Chaves e Pinheiro Machado, no valor de Cr$ 31.355.000,00.

Em 06 de julho de 1988, o Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural decretou o tombamento do Estádio das Laranjeiras, reconhecendo seus valores histórico e arquitetônico. Em 2004, o Estádio recebeu o nome de Estádio Manuel Schwartz, uma homenagem ao vitorioso presidente da década de 80.

O Fluminense não joga mais partidas oficiais no Estádio das Laranjeiras desde o dia 26 de fevereiro de 2003, um empate em 3 a 3 com o Americano. Seu último título conquistado no Estádio foi a Taça Guanabara de 1993 quando derrotou o Volta Redonda por 1 a 0.

Em 2014, o Estádio das Laranjeiras recebeu novamente a equipe do Exeter City, desta vez para enfrentar o segundo quadro da equipe do Fluminense, em comemoração ao centenário da Seleção Brasileira, a partida terminou em 0 a 0, e a equipe inglesa foi presenteada com a Taça Marcos Carneiro de Mendonça.

Hoje o Estádio das Laranjeiras tem capacidade para 08 mil presentes e serve apenas para os treinamentos da equipe profissional ou partidas oficiais das equipes da base, contudo, jamais será esquecido em nossa história, porque o Estádio das Laranjeiras é o berço do futebol Brasileiro.

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