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Estádio?

Sem ajuda do Flu, o Vasco nunca teria chegado à elite

Sem ajuda do Flu, o Vasco nunca teria chegado à elite

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Muitos anos se passaram, muita rivalidade e confrontos aconteceram desde o surgimento do Vasco da Gama no futebol nacional. Se hoje os clubes disputam até o lado da torcida no Maracanã, se o torcedor vascaíno desdenha das Laranjeiras e diz que tem estádio, no caso São Januário, nem sempre foi assim, e um dia, se não fosse o Fluminense e às Laranjeiras, o Vasco da Gama sequer poderia ter atuado na liga principal do campeonato estadual.

Fundado em 1898 o Vasco da Gama surgiu como time de futebol em 1916, quando fez sua estreia nos gramados, atuando pela terceira divisão da liga metropolitana do Rio de Janeiro, na derrota por 10 a 1 para o Paladino FC, terminando o torneio na última colocação. Apesar da colocação nada honrosa, o Clube foi puxado para a série B, após uma reformulação na forma da disputa de todas as séries do Estadual. O “Gigante da Colina” só chegou a Série A em 1923, apões vencer a Série B em 1922 e disputar uma partida extra com o São Cristóvão, último colocado da série A, que definia quem disputaria a elite do futebol fluminense no ano seguinte. Com o empate em 0 a 0, a Liga decidiu aumentar o número de participantes da Série A, dando acesso ao Vasco e evitando o rebaixamento do São Cristóvão, já que não havia no regulamento uma forma de desempatar o confronto.

Sem estádio para poder mandar seus jogos, o Vasco da Gama não poderia atuar na série A, conforme mandava o regulamento vigente à época. Enquanto disputava as divisões inferiores, o Clube atuava em estádios como o de São Cristóvão, mas era preciso ter mando fixo para poder jogar agora. Coube ao Fluminense, em mais um ato histórico, ceder o Estádio das Laranjeiras para que o Vasco da Gama pudesse atuar na Série A, conforme é citado por Mário Filho, no livro “O negro no futebol brasileiro”:

“O Vasco não era outra coisa. Um clube com um campinho na Rua Morais e Silva, que não servia nem para os jogos da primeira divisão. E o Fluminense já com outro estádio (…). Eles tinham tudo, o Vasco nada, só o campinho da Rua Morais e Silva quase abandonado, um dormitório.” (pág. 121). Explicando em seguida, a cessão das Laranjeiras para o Vasco da Gama: “E, depois, havia a história do campo, o Vasco tendo de jogar no estádio do Fluminense.” (pág. 140).

O Fluminense já havia feito o mesmo com o Flamengo para que o antigo clube de regatas pudesse atuar na série A do campeonato estadual do Rio de Janeiro. Jogando nas Laranjeiras, o Vasco da Gama sagrou-se campeão Estadual pela primeira vez em 1923 e repetiu o feito no ano seguinte. Foi também nas Laranjeiras que o Vasco da Gama realizou a primeira partida oficial de sua história, ao enfrentar a equipe reserva do Universal, do Uruguai, em dezembro de 1923. Mesmo já com o Estádio de São Januário, fundado em abril de 1927, o Vasco da Gama ainda atuou nas Laranjeiras até 1965, como mandante, foram ao todo 102 partidas no estádio tricolor.

A história não deixa dúvidas de que se não fosse à ajuda do Fluminense Football Club, nas décadas de 1920 e 1930, o Vasco da Gama teria tido muitas dificuldades para se consolidar na série A do futebol carioca e dificilmente teria se tornado um dos grandes clubes do futebol do brasileiro.

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Rodrigo Barros

Escritor fluminense, é autor de livros, contos e poemas. Desenvolve em cima dos mais diversos temas e tem por hábito participar de antologias de contos com outros autores. É historiador e lançou recentemente o livro "De Oswaldo Gomes a Fred: A história do Fluminense Football Club no centenário da Seleção Brasileira".