shopping-bag 0
Items : 0
Subtotal : R$0,00
View Cart Check Out

Unido e forte

O dia em que o Fluminense ajudou a combater o Nazismo

O dia em que o Fluminense ajudou a combater o Nazismo

Compartilhe:

Em 1942, o Brasil vivia no domínio de um governo ditatorial sob a figura do presidente Getúlio Vargas. O regime brasileiro, intitulado de Estado Novo, era caracterizado pela centralização do poder, nacionalismo, anticomunismo e por seu autoritarismo, muito mais simpático ao regime fascista do que aos governos dos Países Aliados que o combatia. Havia rumores de que o Brasil poderia entrar na Segunda Guerra Mundial para atuar ao lado dos Países Aliados contra Alemanha e Itália. Jornalistas incrédulos com a adesão costumavam usar a expressão de que era “mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”.

Após a adesão brasileira aos compromissos da Carta do Atlântico, que previa o alinhamento automático com qualquer nação da América que fosse atacada por uma potência de fora do continente, o País deixou clara que seu posicionamento ficava apenas na teoria. Em represália a postura brasileira, submarinos alemães e italianos torpedearam as embarcações brasileiras, no Oceano Atlântico, no mês de fevereiro, gerando uma enorme pressão popular para que o Brasil aderisse de uma vez à guerra contra essas nações. Após um longo período de ataques, que durou até agosto, o Brasil finalmente declarou guerra à Alemanha Nazista e à Itália Fascista.

Apesar da postura oficial, o País não tinha a menor infraestrutura industrial-médico-educacional que pudesse servir de sustentação material e humana ao esforço que um conflito daquele porte exigia. A população era majoritariamente analfabeta e rural, vivendo em uma economia com o foco principal voltado para exportação de commodities, bens que não sofrem processos de alteração ou que são pouco diferenciados, como frutas, legumes, cereais e alguns metais e, uma política internacional tradicionalmente isolacionista. O Brasil não apenas se viu impedido de seguir uma linha de ação autônoma como encontrou dificuldades em assumir até mesmo um papel coadjuvante no conflito.

Idealizada pelo jornalista Assis Chateaubriand e por Joaquim Pedro Salgado Filho, então Ministro da Guerra, o governo brasileiro lançou a Campanha Nacional de Aviação, CNA, que tinha por objetivo angariar doações de aviões ou dinheiro e materiais que servissem para a compra ou construção de aviões, ampliação de hangares ou construção de campos de pouso para aeroclubes. O objetivo final era a consolidação da aviação civil no país, investindo na formação de pilotos e constante movimentação no espaço aéreo brasileiro, monitorando sobrevoos de aviões inimigos em nosso território.

O Fluminense Football Club lutava pelo tricampeonato Estadual, após a conquista do campeonato nos anos de 1940 e 1941, e até começou a temporada a todo vapor, vencendo dez dos primeiros onze confrontos, mas sucumbiu após algumas derrotas na sequencia. As únicas conquistas do ano foram a taça Imperatriz e a taça Magno Seixas, em confrontos de menor apelo. A diretoria não estava focada no futebol tricolor e sim em colaborar com a Campanha Nacional de Aviação. O então presidente Marcos Carneiro de Mendonça, por meio de uma cotização entre os sócios, angariou Cr$ 155.000,00 e investiu na aquisição de um monomotor, modelo Fairchild PT-19.

No dia 11 de outubro, em uma solenidade formal, com a presença de autoridades civis e militares, o Fluminense apresentou sua contribuição para a Força Aérea Brasileira, com as hélices envoltas na bandeira tricolor e sob aplausos da torcida, batizando oficialmente o avião de Coelho Netto, em homenagem ao escritor, patrono e sócio do clube, que havia falecido em novembro de 1934. A solenidade ocorreu nas Laranjeiras, antes de um Fla x Flu pelo Campeonato Carioca de Futebol, que terminaria com o placar de 1 a 1. Ary Barroso, compositor de “Aquarela do Brasil” e locutor esportivo, dirigiu a irradiação da Emissora Tupi e coube a ele, a missão de pronunciar a alocução de agradecimento, em nome da família do patrono tricolor. O Fluminense já havia formado uma Escola de Instrução Militar em Outubro de 1937 que durante os anos de 1940 e 1941 conquistou o primeiro lugar em eficiência e disciplina de todo o Distrito Federal. Além da doação do avião às forças armadas, o Clube preparou um curso de enfermagem, no mesmo ano, para auxiliar os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que mais tarde desembarcariam na Itália, formando 85 enfermeiras.

Somente em julho de 1944, quase dois anos após a declaração de guerra, o Brasil entrou de fato no combate, enviando cerca de vinte cinco mil homens, de um total inicial previsto de cem mil. Mesmo com problemas na preparação e no envio, já na Itália, treinada e equipada pelos americanos, a Força Expedicionária Brasileira cumpriu as principais missões que lhe foram atribuídas pelo comando aliado. Em resposta a critica proferida por parte da imprensa, a Força Expedicionária Brasileira (FEB), adotou como lema do grupamento a expressão “A cobra vai fumar”, e sua insígnia era formada por uma cobra verde fumando um cachimbo.

Galeria de imagens:

Compartilhe:

Rodrigo Barros

Escritor fluminense, é autor de livros, contos e poemas. Desenvolve em cima dos mais diversos temas e tem por hábito participar de antologias de contos com outros autores. É historiador e lançou recentemente o livro "De Oswaldo Gomes a Fred: A história do Fluminense Football Club no centenário da Seleção Brasileira".