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Heleno de Freitas





Heleno de Freitas

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Nascido em 12 de dezembro de 1920, em São João Nepomuceno, Minas Gerais, Heleno de Freitas foi o primeiro “Bad Boy” do futebol Brasileiro. O craque problema que deixou que o temperamento explosivo destruísse sua carreira e manchasse a sua genialidade com a bola nos pés. Torcedor e ídolo do Botafogo, tem a sua história ligada ao clube, apesar de ter brilhado também com a camisa do Vasco da Gama e do Boca Juniors. O que poucos sabem é que a sua trajetória no futebol começou nas Laranjeiras.

Heleno veio com a família para o Rio de Janeiro em 1933, indo morar no posto quatro, do bairro de Copacabana. Viu a cidade travestida de preto e branco com os títulos do Botafogo e logo se encantou pelo Alvinegro. Nos muitos passeios que fazia pela praia, se interessou pelo time de Neném Prancha, roupeiro, massagista e olheiro do Botafogo. A equipe de futebol amador tinha o uniforme parecido com o do Alvinegro, contudo, com as listras na horizontal. Heleno passou a atuar no time e depois, em abril de 1935. Foi levado para o juvenil do Botafogo, onde se tornou sócio do Clube. No fim do ano de 1936, o Alvinegro extinguiu a equipe de juvenil e Heleno teve que deixar o Botafogo.

Convidado por João Coelho Netto, o Preguinho, Heleno aceitou de prontidão fazer parte do juvenil do Fluminense Football Club. Treinando nas Laranjeiras, logo chamou a atenção do técnico uruguaio Carlo Carlomagno, que via a rebeldia do jovem jogador, mas percebia nele algo de diferente dos demais. Logo Heleno se tornou um orgulho da base Tricolor. O apoiador argentino Santamaria, da equipe profissional, sugeriu a Carlomagno que Heleno fosse logo incorporado aos profissionais, devido a sua categoria, mas o treinador achou melhor mantê-lo entre os juvenis, devido à ainda ser muito jovem.

Heleno atuava como médio volante, contudo, por ser muito “esquentado” arrumava confusão em todas as partidas e treinos, o que fez com que Carlomagnno o deslocasse para o ataque, pois sem a necessidade de marcar, poderia arrumar menos confusão. Heleno, ao contrário do que se podia esperar, não gostou de ser escalado a frente da equipe, achava que o treinador o perseguia. Durante o treino, irritado com a posição que ocupava em campo, bradou ao treinador: – “E aí, seu gringo, vamos parar logo com essa merda?” – Carlomagno se irritou, atirou o jogador no chão, apertou-lhe a garganta e o xingou de todos os nomes possíveis. Encerrando o treino em seguida.

Heleno não se deu por satisfeito, e ameaçou ir buscar os irmãos para defendê-lo na briga com o treinador. Carlomagno partiu mais uma vez em direção a Heleno, e apertando seu braço questionou se seus irmãos estavam em casa que ele iria pessoalmente até lá resolver a questão. Heleno desistiu de colocar seus irmãos em seu imbróglio. A briga chamou a atenção de muitos que pediram que Carlomagno relevasse, pois Heleno era só um menino.

Após o episódio, Heleno passou a atuar como centroavante e a aperfeiçoar-se na posição. Contudo, os conflitos com o treinador eram constantes. Certa feita, mais uma briga. Carlomagno pediu que Heleno fosse menos ríspido nas entradas que dava nos companheiros, e ouviu do jogador: – “Não fode gringo!” – o uruguaio sentenciou: “-Fora! Não te quero mais neste clube”. – Pessoas próximas tentaram fazer com que Carlomagno mudasse de ideia, mas o treinador foi taxativo: – “Eu já o perdoei outras vezes, é louco, aqui não ficará”. A diretoria fez com que Carlomagno voltasse atrás em sua decisão, e o uruguaio deixou o Fluminense e voltou ao seu País, pois não concordava com as atitudes temperamentais de Heleno.

Como centroavante, Heleno se tornava cada vez mais o destaque da equipe, marcando gols atrás de gols, mas o temperamento seguia incontrolável. Em 25 de novembro de 1936, Heleno foi suspenso pela federação por ter se envolvido em uma confusão com jogadores do Flamengo. Em 9 de dezembro de 1937, novamente suspenso após ofender o árbitro em uma partida contra o Olaria. Em 19 de junho de 1938, após enfrentar o América, foi novamente suspenso por ofender a arbitragem. Capitão da equipe, Heleno chegou a ser suspenso pela diretoria por duas semanas para servir de exemplo, mas nada mudava o seu temperamento arredio.

O Fluminense já não via mais uma solução para Heleno. Nas Laranjeiras acreditavam que este nunca chegaria a ser um gênio da bola, pois era incontrolável. Outro técnico uruguaio surgiu na trajetória Tricolor do jogador. Ondino Vieria, ao chegar ao Clube em 1938 propôs a Heleno, que se ele controlasse o temperamento, em alguns meses assinaria um contrato profissional com o Fluminense. Heleno aceitou a proposta e se manteve sob controle nas quatro linhas, mas sempre irritado com companheiros e com lances desperdiçados. Ondino tentava explicar ao jovem jogador, que sua irritação impedia de atingir 100% de seu desempenho como atleta.

Heleno não soube esperar por muito tempo, conversou com Ondino e se disse angustiado, aguardando a assinatura do contrato profissional. Além disso, afirmou que outro clube tinha interesse em seu futebol e que o Fluminense precisava se decidir sobre sua profissionalização ou não. O treinador não se comoveu com o apelo de Heleno, e para piorar a situação, decidiu mudar novamente a posição do jogador em campo, queria retorna-lo ao meio de campo, o que o irritou profundamente.

Heleno perdeu de vez a paciência e decidiu abandonar o clube, solicitou o cancelamento de sua matrícula de sócio atleta, e no dia 7 de outubro de 1937 deixou para sempre o Tricolor, sem receber nenhuma objeção à sua decisão. No mesmo dia de sua rescisão, convidado por João Saldanha retornou ao Botafogo.

De “Garoto problema” das Laranjeiras à “Gilda”

Heleno logo se profissionalizou pelo Botafogo e se tornou ídolo da torcida Alvinegra. O jogador retornou às Laranjeiras, para a disputa de um clássico, agora sob vaias e xingamento dos Tricolores. Heleno era o “traidor”, que deixou o juvenil do Fluminense para integrar o elenco profissional de um rival. Ao dar o pontapé inicial da partida, heleno ouviu das arquibancadas – “Gilda!”. – Gilda era a personagem de Rita Hayworth, no filme homônimo. Uma mulher bela, exuberante e temperamental. O grito partiu de um amigo Tricolor nas arquibancadas, do antigo “Clube dos Cafajestes”, mas logo tomou conta de toda a torcida.

O jogador começou a se irritar em ouvir insistentemente “Gilda! Gilda! Gilda!” e tentava a todo o custo marcar um gol para revidar os xingamentos, e os gritos vindos das arquibancadas a cada instante o irritavam mais. Em um lance com Orlando Pingo de Ouro, em que os dois se digladiavam pela posse da bola, Orlando esperou que o árbitro virasse de costas, e desferiu uma cotovelada em Heleno e o jogador se vingou arrancando o cordão do pescoço de Orlando, e mais gritos de “Gilda! Gilda! Gilda!” vinham das arquibancadas. Aos poucos as provocações aumentaram, cantarolavam a marchinha de carnaval de Antonio Almeida: “Helena, Helena, vem me consolar!”.

Heleno distribuía “bananas” para a torcida,  e ouvia novos insultos, “Escandalosa”, “Gilda! Gilda! Gilda!”. O Botafogo venceu a partida por 2 a 1, e enquanto Teixeirinha marcava o gol da vitória Alvinegra, Heleno fazia o “V” de vitória com os dedos, e fazia mímicas como se passasse pó de arroz no rosto para provocar os Tricolores.

A partir desse jogo, Heleno tomou o Fluminense como o grande rival de sua carreira no futebol carioca. E o Fluminense se tornou seu algoz, nos dois primeiros anos que vestiu a camisa Alvinegra, viu o Tricolor conquistar o Bicampeonato Estadual. Jamais foi campeão pelo Botafogo. Em 1948, foi vendido ao Boca Juniors na maior transação do futebol brasileiro até então.

Voltou ao Brasil e não foi aceito pelo Botafogo, que campeão Estadual, acreditava que o jogador era “azarado”. Integrou então o expresso da vitória do Vasco da Gama, conquistando finalmente o título Estadual em 1949. Atuou por uma liga amadora, na Colômbia, e voltou ao Santos, onde teve pouco destaque. No América jogou apenas uma partida, a última de sua carreira, realizando o grande sonho de atuar no Maracanã, sendo expulso aos 35min do primeiro tempo por acertar um carrinho violento no zagueiro.

Heleno fez 18 partidas pela Seleção Brasileira marcando 19 gols, tendo sido artilheiro do Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1945 – atual Copa América – com 6 gols. A insanidade, causada pelo não tratamento da sífilis e, o estado precário de sua saúde o levaram à morte no dia 8 de novembro de 1959 em um manicômio, em Barbacena, Minas Gerais.

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