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João Havelange

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Em 08 de maio de 1916, nasceu no Rio de Janeiro, Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange. Filho do belga Faustin Havelange, comerciante de armas radicado no Rio de Janeiro, onde possuía uma grande propriedade que se estendia pelos atuais bairros de Laranjeiras, Cosme Velho e Santa Teresa, João Havelange enveredou-se para a prática do esporte desde cedo e se recusou a assumir o negócio do pai após seu falecimento.

Foi escoteiro e atleta, infantil, juvenil e adulto no Fluminense Football Club, destacando-se em vários esportes, incluindo o futebol, onde foi campeão carioca juvenil, atuando como zagueiro, em 1931. Como nadador, defendeu a Seleção Brasileira na segunda edição do Campeonato Sul-Americano de 1934, em Buenos Aires, na Argentina. Nadou as provas de 400 e 800 livre sem ganhar medalhas, mas trouxe duas de prata nos revezamentos 4×100 e 4×200, os donos da casa ficaram com as medalhas de ouro.

Em 1936, João Havelange, do Fluminense, e Sieglinda Lenk (irmã da também nadadora Maria Lenk), do C.R. Tietê, foram os vencedores da X Travessia de São Paulo a Nado. Competiu como nadador na prova de 1.500m livre nas Olimpíadas de Berlim, no mesmo ano. Ao retornar dos jogos olímpicos, tornou-se bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense.

Em 1948, residindo em São Paulo teve sua primeira experiência como dirigente na Federação Paulista de Natação. Havelange seguiu como atleta de polo aquático no Fluminense e em 1951, foi medalha de prata com a Seleção Brasileira na primeira edição dos Jogos Pan Americanos, realizados em Buenos Aires, na Argentina.

Em 1952, tornou-se Presidente da Federação Metropolitana de Natação e vice-presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Aos 36 anos, competindo ainda como jogador de polo aquático, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, Havelange foi o mais veterano jogador da equipe brasileira. Presente em todos os seis jogos da equipe, foram cinco derrotas e apenas uma vitória contra Portugal garantindo o 13o lugar na competição.

Como atleta, conquistou ainda a medalha de bronze, no polo aquático, nos Jogos Pan-americanos na Cidade do México, em 1955.

Em 1956, chefiou a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália, quando presidiu a CBD, que congregava vinte e quatro esportes, incluindo o futebol. Esteve à frente da entidade até 1974, consagrando-se Tricampeão Mundial de Futebol com a conquista das Copas do Mundo de 1958, na Suécia de 1962, no Chile, e de 1970, no México. Em 1963, João Havelange foi eleito para o Comitê Olímpico Internacional (COI) e foi decano da entidade, com mais de 40 anos de mandato ininterrupto.

Um ano depois de deixar a CBD, João Havelange candidatou-se à presidência da FIFA e visitou 86 países em apenas dois anos em busca de votos. Foi eleito no dia 11 de junho de 1974 e permaneceu no cargo até 1998. Organizou seis Copas do Mundo, visitou 186 países e trouxe a China, desligada por mais de 25 anos por razões políticas, de volta à entidade. Criou ainda os Campeonatos Mundiais de Futebol nas categorias infanto-juvenil, juvenil, juniores e feminina.

Em pesquisa realizada pelo COI, em 1999, João Havelange foi apontado como um dos três maiores dirigentes do século, ao lado do Barão Pierre de Coubertin, fundador do COI e idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, e do ех-Presidente do COI, Juan Antonio Samaranch.

Em 2007, foi inaugurado em sua homenagem, o Estádio Olímpico João Havelange, conhecido popularmente como “Engenhão”, construído para os Jogos Pan-americanos do mesmo ano. Nesse estádio, o Fluminense comemorou as conquistas dos Campeonatos Brasileiros de 2010 e de 2012.

Revelações feitas pela imprensa britânica, em 2011, apontaram que, nos anos de 1990, o dirigente teria recebido milhões de dólares em propinas da empresa de marketing ISL em troca de contratos de transmissão da Copa. Em 2013, Havelange renunciou ao cargo de Presidente de Honra da FIFA e sem admitir culpa, João Havelange fechou um acordo com a justiça, efetuou o pagamento de uma multa e o caso foi encerrado. Anunciou também sua renúncia como membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), encerrando também as investigações da entidade.

João Havelange é Grande Benemérito do Fluminense e Presidente de Honra do Clube. Faleceu aos 100 anos, no dia 16 de agosto de 2016, após passar internado por um mês com pneumonia.

O clube emitiu nota oficial sobre seu falecimento:

O Fluminense Football Club lamenta profundamente o falecimento de João Havelange, na manhã desta terça-feira, 16/8, aos 100 anos de idade.

Presidente de honra do Fluminense, presidente da CBD de 1956 a 1974, presidente da Fifa de 1974 a 1998, João Havelange comandou mudanças importantes no futebol mundial, como o aumento no número de países na Copa do Mundo, as criações dos Mundiais Sub-17, Sub-20, Copa das Confederações e a Copa do Mundo de Futebol Feminino.

Havelange também foi uma pessoa singular na história do Fluminense Football Club. Escoteiro e atleta desde a infância, destacou-se em vários esportes como natação, polo aquático e futebol. Importante atleta brasileiro, também foi protagonista em Olimpíadas.

Sempre ajudou o Tricolor. Fundamental na construção do Centro de Treinamento das Divisões de Base em Xerém e um dos principais responsáveis pela conquista da Taça Olímpica, será eternamente um torcedor ilustre do Fluminense Football Club.

O Fluminense está de luto oficial pelos próximos sete dias.

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Rodrigo Barros

Escritor fluminense, é autor de livros, contos e poemas. Desenvolve em cima dos mais diversos temas e tem por hábito participar de antologias de contos com outros autores. É historiador e lançou recentemente o livro "De Oswaldo Gomes a Fred: A história do Fluminense Football Club no centenário da Seleção Brasileira".