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Gol de Barriga

Um ídolo, uma barriga e uma conquista para a eternidade

Um ídolo, uma barriga e uma conquista para a eternidade

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Ah, o Fla x Flu, o clássico que teve seu início quarenta minutos antes do nada. Onde os irmãos Karamazov do esporte bretão, pai e filho desertor, se encontram para mais uma batalha, um confronto fadado à eternidade, quando o bem e o mal colocam em cheque suas armas, sua força e sua grandeza.

Nada, absolutamente nada, é maior do que o Fla x Flu. Todos os outros confrontos, rivalidades, clássicos, seja no futebol ou em qualquer outro esporte do planeta, quiçá do Universo, chega ou chegará aos pés da grandeza deste confronto. E entre as muitas batalhas entre os clubes, uma ficará marcada para a eternidade, na lembrança das duas torcidas, na narração dos locutores e nos anais da história.

Para o Fluminense só havia uma possibilidade, o habitual vencer ou vencer, enquanto que para o Flamengo, que contava o melhor jogador do Mundo, apenas um empate se fazia necessário para a consagração em seu centenário. Se o Flamengo tinha Romário, o Fluminense tinha Renato. O Gaúcho que fora preterido pelo rubro-negro antes de vestir o manto Tricolor.

Se o time das Laranjeiras precisava da vitória para conquistar o título, o início da caminhada se deu aos 30min do primeiro tempo, quando Renato Gaúcho, que seria o herói da noite, marcou o primeiro tento Tricolor. O domínio em campo era absoluto e após um chute forte, o goleiro Roger deu rebote e Renato tocou para que Leonardo, o artilheiro do campeonato ampliasse. Silêncio sepulcral nas arquibancadas pelo lado rubro-negro. O Fluminense poderia ter feito o terceiro, o quarto e o quinto gol ainda no primeiro tempo, mas quiseram os Deuses do futebol que o golpe mortal fosse eterno.

Na segunda metade da partida o Fluminense seguia absoluto até que um ídolo Tricolor incendiou a partida. Branco, agora do lado rubro-negro, cobrou uma falta com violência, explodindo no travessão. Maioria no Maracanã, a torcida do Flamengo passou a incentivar incessantemente à equipe da Gávea. Romário, que já havia atuado pelo Vasco e agora defendia o rival, jamais havia marcado contra o Fluminense e quis o destino que justamente nessa partida ele desencantasse. Aos 26min, o Baixinho recebeu na área e diminuiu. O gol mudou o panorama do jogo, o Rubro-Negro passou a pressionar em busca do segundo gol que lhe daria o título. E ele veio. Fabinho recebeu na ponta direita aos 39min, driblou dois marcadores e chutou cruzado, Wellerson nada pôde fazer e a arquibancada explodiu em comemoração. Para o desespero do Fluminense, Lira foi expulso em seguida, deixando o time com um a menos.

Tricolores assistiam incrédulos ao empate Rubro-Negro. Muitos deixaram o estádio prevendo uma festa sem precedentes no centenário do maior rival, dando o título como perdido. Se para o Flamengo o triunfo era algo que não poderia mais ser impedido, para os guerreiros em campo ainda havia algo a fazer: Um milagre.

O Fluminense não seria abatido facilmente, era preciso lutar até o último segundo. Ronald lançou nas costas do lateral Branco, Aílton recebeu livre pela direita e em bela jogada entortou Charles Guerreiro. O marcador se recuperou a tempo de impedir o chute e foi novamente driblado. Instantes de silêncio, apreensão para ambas as torcidas, um chute cruzado e um desvio. A bola caminhava para a linha de fundo, quando Renato Gaúcho entrou para a galeria de grandes ídolos das Laranjeiras, ao colocar a barriga na bola e, a bola no fundo das redes. Euforia Tricolor, silêncio Rubro-Negro. Para o Flamengo, o fim do sonho de ser campeão em seu centenário, para o Fluminense, o início de uma comemoração que nunca mais teria fim. O milagre estava consumado, com um gol épico, imponderável e inimaginável.

Um gol de barriga.

FLUMINENSE 3 x 2 FLAMENGO

Local: Maracanã (Rio de Janeiro);

Árbitro: Léo Feldman

Gols: Renato Gaúcho aos 30 e Leonardo aos 42 minutos do 1° tempo; Romário aos 26, Fabinho aos 32 e Renato Gaúcho aos 42 minutos do 2° tempo. *Na súmula, o árbitro deu o gol da vitória para Ailton.

Cartões amarelos: Rogerinho, Renato Gaúcho e Márcio Costa (Fluminense), Charles, Marcos Adriano, Branco e Jorge Luis (Flamengo).

Cartões vermelhos: Sorley, Lira e Lima (Fluminense) e Marquinhos (Flamengo).

Fluminense: Wellerson, Ronald, Lima, Sorley e Lira; Márcio Costa, Aílton, Djair e Rogerinho (Ézio); Renato Gaúcho e Leonardo (Cadu). Técnico: Joel Santana.

Flamengo: Roger, Marcos Adriano (Rodrigo), Gélson Baresi, Jorge Luís e Branco; Charles Guerreiro, Fabinho, Marquinhos e William (Mazinho); Sávio e Romário. Técnico: Wanderley Luxemburgo.

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Rodrigo Barros

Escritor fluminense, é autor de livros, contos e poemas. Desenvolve em cima dos mais diversos temas e tem por hábito participar de antologias de contos com outros autores. É historiador e lançou recentemente o livro "De Oswaldo Gomes a Fred: A história do Fluminense Football Club no centenário da Seleção Brasileira".